Autor: Jean Paterno
Uma comitiva formada por 98 empresários brasileiros, desses três de Cascavel, viajaram por quatro países do Norte da África em janeiro em uma missão que busca aproximar empreendedores e estimular novas parcerias no campo empresarial. Organizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em conjunto com embaixadas e órgãos ligados ao comércio internacional, a viagem apresentou um universo de possibilidades que poucos empresários brasileiros sabem que existe.
“O que vimos foi quatro países em intensa construção e que têm tudo para se transformar em novas Dubais”, define Vicente Ribeiro, que fez um relato da expedição quinta à noite durante encontro empresarial da Acic. O roteiro incluiu contatos com lideranças dos setores político e produtivo de cidades da Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos, nações que lideram uma das mais eufóricas ondas de crescimento da história do continente africano. A comitiva brasileira foi formada por empresários de ramos como calçados, energia, tecnologia da informação, telecomunicações e agroalimentar.
As rodadas de negócios permitiram que os integrantes da missão apresentassem produtos e informações sobre suas empresas. A troca de conhecimentos é o primeiro passo para estabelecer parcerias e há interesse mútuo em ampliar mercados, segundo Vicente. Os empresários de Cascavel integrados à comitiva são de empresas ligadas ao APLTic, um arranjo produtivo local criado para integrar e fortalecer a cadeia da tecnologia da informação na região Oeste do Paraná. “O que pudemos ver é surpreendente e futuras parcerias são absolutamente prováveis”, de acordo com Adriano Smaniotto.
O desafio agora é, por meio do APLTic e outros parceiros, definir as melhores estratégias para consolidar negócios com empresários dos países do Norte da África. Talvez poder contar com uma estrutura fixa em uma cidade importante venha a ser a primeira providência, conforme Vicente. O empresário César Bernardon prospecta conexões vantajosas entre vários setores produtivos dessas nações com o Brasil. Um aspecto reafirma essa condição, segundo ele: Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos são grandes produtores e exportadores de petróleo, no entanto importam praticamente todo o resto.
A China, economia que apesar da crise é a que mais avança no mundo, e países da Europa há anos perceberam o potencial do norte africano. O Brasil desperta para essa possibilidade somente agora, mas ainda há perspectivas econômicas em vários campos graças à competitividade do produto nacional e da criatividade empreendedora das empresas. Além do Ministério do Desenvolvimento e das embaixadas, a viagem técnica contou com o envolvimento também da Apex e da Softex.